Congresso ICLEI – Cidades e Sustentabilidade

Nos próximos dias vou tentar relatar um pouco do muito que vi e ouvi no Congresso do ICLEI que aconteceu em Belo Horizonte entre os dias 14 e 17, enquanto tento me encontrar nesta tsunami de acontecimentos que é a Rio+20 e todos seus eventos paralelos.
Uma das principais palestras foi a de Gil Peñalosa, ex-Secretário de Parques, Esportes e Recreação da Cidade de Bogotá, na Colômbia, onde liderou a equipe que cirou um dos sistemas de parques e lazer mais bem sucedidos e famosos do mundo.
Que cidades nós queremos criar para o futuro quando teremos oito mihões de pessoas morando nelas? Qual é o papel das ruas, por exemplo? As ruas são um dos patrimônios mais valiosos de uma cidade. Com vamos distribui-lo? Se planejamos cidades para o uso de carros, teremos ruas mais largas, com mais carros, todos engarrafados. Se planejamos as cidades para as pessoas, teremos pessoas mais saudáveis, mais felizes e com mais qualidade de vida.
O foco da palestra foram as grandes transformações que são possíveis com medidas simples, como a retirada de carros das calçadas, destacando que esta é uma apropriação privada do espaço público e, portanto, esta é uma medida de promoção de equidade social. Gil argumenta que enquanto os ricos têm seus espaços privados para desfrutar, os pobres moram em casas pequenas, com pouco espaço e é nos espaços públicos que podem se divertir, se encontrar, respirar. Se uma casa tem 40m2 para abrigar uma família, estas pessoas precisam de um espaço externo qualificado.
Outra medida importante para comunidades saudáveis e felizes é a arborização. Árvores fazem uma enorme diferença nas calçadas criando conforto e beleza. E nós defendemos e cuidamos melhor do que é bonito. Ruas agradáveis atraem as pessoas e se tornam mais seguras, o que atrai ainda mais pessoas beneficiando o comércio, revitalizando a economia, num círculo virtuoso.
Gil defendeu medidas que a princípio parecem antipáticas para parte da população, depois se mostram extremamente populares, como o caso das cidades que fecharam suas ruas aos carros. O que primeiro pareceu que seria um prejuízo para os comerciantes aumentou o faturamento em vez de o diminuir como temiam.
Mas, sobretudo, ele falou sobre a coragem de mudar. De tomar atitudes aparentemente extremas, como fechar Times Square em Nova York, que se tornam emblemáticas e conquistam o apoio da população. Muitas grandes mudanças não dependem de orçamentos especiais, mas de visão e liderança. Ainda em Nova York, foram criados quilômetros de novas ciclovias com apenas pintura no asfalto e cones. À medida que as pessoas se acostumam e aprovam, os equipamentos se tornam permanentes.
Segundo ele, para mudar precisamos basicamente de cinco elementos:
1 – Um sentido de urgência, que não é difícil diante das crises que estamos enfrentando;
2 – Vontade política, já que muitas transformações podem ser rápidas e baratas se houver vontade de realizá-las;
3 – Liderança, coragem de tomar iniciativa;
4 – Pessoas que fazem, que com imaginação e criatividade;
5 – Participação pública, se souberem que suas ideias serão ouvidas, as pessoas vão participar e trarão mais ideias.
Finalizou falando da importância das alianças entre o poder público, as empresas e a comunidade com participação pública definindo quais são as coisas certas a se fazer. Ou seja, mesmo que não se fale muito em Agenda 21 Local, muitas falas apontam para os princípios, valores e metodologia que estas utilizam. Mas isto fica para o próximo post.

Avaliação das Práticas Municipais – II

O que o seu município faz pelo desenvolvimento sustentável? Abaixo o final da lista que começou no post anterior. É uma lista elaborada no século passado e certamente não aborda todos os itens possíveis. Mas pode ser útil como um guia para a discussão nos Fóruns de Agenda 21, para a elaboração de propostas de legislação e projetos junto ao poder público. Os Fóruns também podem usá-la para uma conversa propositiva junto às Secretarias Municipais, avaliando o que já está sendo realizado e o que ainda pode melhorar. Como dizemos sempre, não é apenas o que se faz, mas como.
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