Uma Agenda para os Novos Governos

Para quem está envolvido com um processo de Agenda 21 Local, 2013 é um ano importante já que é ano de renovação na Prefeitura e na Câmara Municipal. Se as relações estavam indo bem, será necessário mantê-las assim com os novos interlocutores e, se estavam mal, é a chance de reverter a situação.

Nos processos com os quais estou envolvida foi desenvolvida uma estratégia junto com os coordenadores e alguns membros dos 14 Fóruns, que já começou no período eleitoral. Um Grupo de Trabalho elaborou uma carta com alguns compromissos básicos e entrou em contato com todos os candidatos pedindo suas assinaturas. Nem todos assinaram, mas todos ficaram cientes da existência do processo, o que já é um avanço.

Para iniciar esta relação – ou revitalizar, no caso de prefeitos reeleitos – foi decidido que a primeira ação será pedir uma reunião com o/a Prefeito/a na qual se buscará mostrar as vantagens do trabalho participativo e do uso de um espaço de diálogo com a sociedade na construção e implementação de políticas públicas.

Na prática, será solicitado o cumprimento dos compromissos assumidos, que incluem um sala equipada e um funcionário para auxiliar o trabalho do Fórum e, principalmente, a indicação como representantes do governo no Fórum de pessoas com poder de decisão, facilidade para a negociação e que delas seja cobrada a participação efetiva nas discussões.

Além disso, serão encaminhadas duas sugestões:

1- Criação de um Grupo Intersecretarial, para o debate da implementação da Agenda 21 no município, que deverá começar pelo estudo da Agenda publicada para:

- Indicar quais ações já foram cumpridas
- Quais estão contempladas no Plano de Governo e como o Fórum pode colaborar com sua implementação
- Como serão tratadas no PPA

2 – Realização de um pequeno seminário com todos os secretários e funcionários municipais, vereadores e assessores para uma apresentação sobre o que é Agenda 21, principais pontos da Agenda 21 do município e como o trabalho em parceria pode colaborar para a gestão municipal.

Caso sejam acatadas irei relatando aqui seus desdobramentos.

Cidades Criativas

Ontem estive no lançamento do livro “Rio Cidade Criativa – a cultura como o quarto pilar do desenvolvimento – organizado por Regina Miranda a partir do Fórum e dos Diálogos organizados por ela em 2011 com diversas pessoas dedicadas a pensar o tema Cidades Criativas. Tive o prazer de fazer parte deste seleto time.
Como uma cidade pode construir para seus cidadãos um futuro que seja próspero, atraente e acessível? Cada cidade tem os seus desafios, mas o futuro está nas cidades nas quais as pessoas têm prazer em viver e pensam com alegria que seus filhos e netos poderão continuar ali.
A cidade criativa não é aquela que apenas congrega artistas, mas a que estimula a inovação em todos os campos, acolhe a diversidade como um rico ecossistema, propiciando o maior número de trocas e interações entre seus habitantes e todos que por lá passarem. A cidade criativa promove oportunidades para descobertas, experiências e novidades sem abrir mão de sua identidade e do cuidado com o seu acervo e suas memórias.
Com as oportunidades de encontros e interações que oferecem, as cidades são pontos nevrálgicos para o desenvolvimento de soluções que contribuam para o enfrentamento da crise na qual nos encontramos.
A capacidade de imaginar, sonhar e arriscar trazida pelos artistas e criadores leva ao desenvolvimento de moinhos de vento que planam no ar, bombas d’água movidas pela brincadeira das crianças, um canudo que purifica água… A cada dia surgem novas ideias em diferentes lugares do mundo trazendo soluções criativas para problemas cotidianos.
Mas as pessoas precisam acreditar nisso, desejar uma vida assim. Em vez de sonhar com um carro do ano, sonhar com uma praça cheia de árvores perto de casa, com mais tempo livre para se dedicar ao que gosta. É uma imensa revolução cultural. A mudança de hábitos voltada para a sustentabilidade precisa se tornar desejável. E, para isso, as pessoas precisam ver essas mudanças como algo que lhes confere valor, que as torna uma referência positiva em seu grupo social.
Um movimento que requer uma mudança nos estilos de vida precisa contribuir para dar sentido à vida das pessoas e as ajudar a refletir sobre a maneira como querem viver. Precisa oferecer alternativas para uma vida atraente, que proporcione prazer e não culpa.
A arte traz o inesperado, desperta sensibilidade, provoca reflexão e pode levar as pessoas a olharem as questões por ângulos diferentes do que o fazem em seus cotidianos. Pode despertar nelas o prazer do intangível, do fruir estético, mostrar-lhes uma vida melhor e mais rica do que o consumo desenfreado que destrói o planeta sem construir felicidade.
A sustentabilidade das cidades e do planeta depende de novas estruturas econômicas e de governança, de novas tecnologias e de novos hábitos. São muitas revoluções simultâneas em um curto espaço de tempo. O desafio é imenso.
Uma cidade sustentável precisa a dimensão da criatividade, proporcionar oportunidades de contato com nossas forças íntimas que só a arte proporciona, para despertar a consciência que se torna a força motriz do processo de transformação. Podemos ter a vida que queremos e um futuro muito melhor do que o que sonhamos agora.
O processo da Agenda 21 Local vem promovendo encontros entre os diferentes grupos sociais e de interesses em cidades do mundo todo em busca de consenso sobre o futuro que se deseja e como chegar lá. O movimento Cidades Criativas é parte importante do processo de construção deste futuro.